Halo 4 tem um tropeço inesperado para nós. A localização para português, uma característica marcante da série desde Halo 3 e sempre muito elogiada por sua qualidade, ficou sofrível. A mudança do estúdio de tradução com certeza afetou a qualidade final, mesmo mantendo os dubladores de Master Chief e Cortana. Basta assistir a primeira cena do jogo para reparar a péssima atuação dos dubladores. Pior do que isso são os textos mal localizados. Em uma situação, Cortana diz para Chief “Stay low”, o que deveria ser traduzido como “Fique atento” ou “Tenha cautela”. A tradução oficial ficou como “Fique baixo”. Isso sem falar nos erros gramaticais, como “burraco” e “porque” utilizado em perguntas no lugar de “por que”. Tudo fica ainda mais complicado por não ser possível colocar o idioma original em inglês - o disco vendido no Brasil só possui o áudio em português. A solução para quem não quer se perder nas confusões de tradução é deixar as legendas em inglês. 
Halo é uma das séries mais importantes de entretenimento. Ela não só revolucionou alguns conceitos de jogabilidade e popularizou o gênero de tiro em primeira pessoa nos consoles, mas também padronizou o modelo de negócio dos grandes blockbusters.
Por trás de toda a produção, muito dinheiro também é investido em marketing. Existe até quem ache que Halo só fez e faz sucesso por conta das cifras bilionárias investidas pela Microsoft. Os defensores, por outro lado, dizem que a Bungie, produtora de =todos os demais títulos da franquia até hoje, era a responsável pelo sucesso graças a seu carinho com a comunidade.
Halo 4 chegou em um ótimo momento para a Microsoft, mas nunca precisou provar tanto. O Xbox 360, já com seis anos de idade, tem uma base instalada enorme e pronta para absorver todos os novos jogadores. Só que esse também é o primeiro jogo produzido pela 343 Industries, estúdio criado pela Microsoft apenas para dar continuidade à sua principal franquia exclusiva.
O início de uma nova trilogia foi anunciada na E3 de 2011 e tem início em Halo 4 de forma primorosa. Quem conhece a franquia, sabe que a narrativa sempre priorizou contar mais a história do universo do que dos personagens. E essa é a primeira grande mudança de Halo 4 em comparação com seus antecessores. Halo 4 conta a história de Master Chief e sua relação com a inteligência artificial Cortana. Claro, o enredo apresenta a aparição da raça ancestral Promethean, uma reviravolta que nem todo mundo gostou. Nós adoramos.
Halo só conseguiria seguir em frente se alguma decisão como essa fosse tomada. Há quem ache os Promethean “intocáveis”, e isso até faz certo sentido. Mas a nova trilogia apresentou a raça ancestral, antes adorada como deuses pelos Convenants, de forma elegante. Sob o ponto de vista de narrativa, foi uma mudança audaciosa da 343, e quando o assunto é gameplay, ela só se mostra ainda mais correta.
Além dos Promethean serem inimigos mais cascas-grossas que os Convenant, eles adicionam variedade aos combates. Mais do que isso, sua tecnologia acrescenta ótimas opções ao arsenal de Master Chief. Só por esse benefício, já apoiamos a decisão de “reviver” os Forerunners. Vale lembrar que, em muitas situações, você precisará enfrentar os antigos e os novos adversários ao mesmo tempo.
A história desse primeiro capítulo da trilogia “Reclaimer” apresenta novos personagens e vilões, preparando o terreno para os próximos jogos. O enredo não é genial, mas serve como apoio para a construção de uma trama que tem potencial para ser tão grandiosa quanto a da trilogia original.
Voltando ao campo de batalha, o que mais impressiona é como a 343 recriou a mesma clássica jogabilidade de Halo refazendo o jogo praticamente do zero. Toda a parte técnica de Halo 4 deu um salto enorme em comparação com Halo: Reach. Os visuais estão incríveis e as cenas de corte poderiam muito bem ser de um filme CGI de Hollywood. É difícil até dizer se são imagens pré-renderizadas ou um filme com atores de verdade.
Além de ser um dos jogos visualmente mais bonitos do Xbox 360 até hoje, Halo 4 também arrasa na parte sonora. As trilhas, como já era de se esperar, são ótimas e passam o clima épico característico com muitas sinfonias orquestradas. Destacamos a qualidade do áudio em geral, do tiro às explosões, que quando jogados com um bom sistema de som fazem toda a diferença na experiência.
A campanha tem aproximadamente seis horas de duração, tempo que pode aumentar bastante em algumas dificuldades pelo excesso de vezes que será necessário retornar do checkpoint e tentar novamente. Por sorte, Halo 4 possui as modalidades Infinity que com certeza completam o pacote.
Multiplayer
Infinity é uma incrível nave da UNSC que, na história de Halo 4, serve como centro de operações e treinamento dos Spartans. No gameplay, é nela onde se concentram as modalidades cooperativas e competitivas.
A 343 não foi orgulhosa e admitiu que Halo já não é mais o supra sumo dos jogos de tiro em primeira pessoa. Por isso, ela pegou emprestado algumas características que deram certo em outros jogos. E, sim, estamos falando de Call of Duty. O modo multiplayer de Halo 4 tem muito Call of Duty. Desde o sistema de customização de pacotes de armas e habilidades até as Comendas. E isso é ótimo, todas essas novidades deram uma complexidade nunca antes vista na série, tornando o multijogador ainda mais viciante.
Personalizar visualmente seu Spartan está ainda mais diversificado do que em Halo: Reach e os pontos ganhos durante a progressão instigam o jogador a querer liberar mais e mais peças para a armadura. O sistema de loadouts de armas, no entanto, mudou muito a dinâmica das partidas online. Antes, a quase obrigatoriedade de se começar a partida com o Rifle de Assalto exigia uma corrida maior em busca de novas armas e os combates eram quase sempre decididos no “atira, corre, coronhada”. Podendo escolher a DMR ou o Battle Rifle (que retornou de Halo 3 com algumas diferenças, mais focado em combates em curta distância) desde o começo da partida, os jogadores mais técnicos foram beneficiados. Os confrontos acontecem muito mais de longe do que antes, mesmo com a habilidade de corrida sendo padrão para todos e não somente um poder de armadura.
Entre as novas modalidades de jogo senti-se falta das partidas para duplas e trios. Mas o modo “Lone Wolf” deu lugar a um divertido e dinâmico “Free for All” chamado Regicide, onde o posicionamento do líder da partida sempre fica marcado na tela de todos e sua morte é recompensada por pontos extras. A pontuação das partidas, aliás, agora é padronizada em pontos e não mais fatores individuais de cada modo. Não importa se você ficou -10 na taxa de abates/mortes, caso tenha conseguido somar muitos pontos cumprindo os objetivos.
Uma nova lenda começa
O Spartan Ops entra no lugar do popular Firefight, modo estilo “Horda” de Halo ODST e Reach. O conceito de Spartan Ops é interessante; separado por capítulos lançados periodicamente de graça, esse modo incentiva o jogo cooperativo para cumprir determinados objetivos. No final das contas, é a mistura entre um modo Horda e Campanha, já que existe uma história por trás das operações dos Spartans que é contada aos poucos. Spartan Ops é dinâmico e oferece bons desafios para cumprir cooperativamente, além de somar pontos para seu Spartan habilitar novas habilidades e personalizações.
Halo 4 não deixa a desejar em relação aos outros jogos da série. Quem temia a mudança da Bungie para a 343 pode ficar tranquilo. Arriscamos dizer, ainda, que a mudança foi positiva para a série. As cenas não-interativas agora são feitas por meio da técnica de captura de movimentos reais Mocap (Motion Capture), o que garante uma animação anos-luz superior às travadas animações da época da Bungie.
Tirando os pormenores da localização, Halo 4 é com certeza um dos melhores jogos lançados no ano. Ele não é brilhante ou surpreendente, mas entrega tudo que um fã da série poderia esperar. Continua trabalhando bem todos os principais conceitos da franquia – e melhorando muitos deles. Master Chief teve o retorno merecido em um cenário que tinha tudo para dar errado. Só o tempo dirá se a nova trilogia superará a original, mas Halo 4 mostrou que isso é muito provável.
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